[esta é uma obra de ficção compilada através de descaradas semelhanças com a realidade, pouca ou nenhuma consideração com estudos sérios ou pesquisas realmente significativas; fundamentada através de experiências empíricas realizadas com cobaias pouco ou nada voluntárias, em situações cujas conclusões definitivamente não podem ser tiradas com base na credibilidade da obra e do autor da mesma. nenhuma cobaia foi ferida ou morta durante a autoria deste blog, e suas identidades serão devidamente protegidas para que o autor não precise se preocupar com a repercussão das experiências e para que fique com o crédito todo pra ele]
A evolução prevê que cada espécie em seu estágio mais aperfeiçoado de existência desenvolve um patamar de sobrevivência com o qual seja capaz de produzir mais e mais gerações, graças às facilidades encontradas em sua adaptação ao meio e às outras espécies, mantendo-se, portanto, superior a todas elas.
Eu estava exatamente dentro de um ônibus, que rangia feito uma cama de molas, e deviam ser quase uma da tarde – pois eu estava tentando desesperadamente ir almoçar, embora o trânsito estivesse decidido a tornar essa tarefa bem mais complicada – quando me dei conta que a evolução caducou desde que nós humanos decidimos que seria bem mais legal se começássemos a criar as nossas próprias regras.
E então, em meio ao trânsito infernal, meu rosto iluminou-se (ao menos imagino que deva ter-se iluminado; foi um momento grandioso de compreensão do sentido da sociedade que ajudo a construir todos os dias no meu trabalho de ajudar-as-pessoas-a-vender-coisas-que-as-outras-pessoas-não-precisam-mas-querem-comprar-para-se-sentirem-mais-felizes, então me deixem inserir um pouco de dramaticidade na cena)... Quão estupenda é a civilização que construímos em cada semáforo e cruzamento, com todos esses quatro-rodas de um lado para o outro, cujos motoristas cheios de tarefas (ou não) buscam os caminhos mais articulados para que continuem gastando gasolina e tumultuando as ruas, maaaas tudo em prol da evolução humana (ao menos em horário de expediente).
As filas de banco, o horário de almoço, os quatro-rodas, o sistema carcerário... Uôu. Fizemos por merecer o nosso posto na mais alta prateleira (?) da cadeia alimentar. O que seria da nossa civilização sem as filas, e ouso até dizer, sem as senhas de atendimento? Eis aí o segredo do nosso sucesso enquanto espécime dominante do planeta. Quiçá do Universo (enquanto nada provar o contrário).
A verdade é que as regras que criamos desde então só estão aí para impedir que outra espécie consiga alcançar algum feito da humanidade, como por exemplo, atravessar o estreito de Bering, e assim tomar o nosso lugar na direção das grandes corporações (duvido que os alces consigam algum sucesso com a declaração de imposto de renda). Aliás, estudos com cobaias humanas comprovam que poucos de nós conseguem superar essas regras – isso quando conseguimos entendê-las. Mas faz muito sentido: as regras do jogo não foram feitas para nós ganharmos.
[continua]
