domingo, 18 de janeiro de 2009

As Regras do Jogo [pt 01]

[esta é uma obra de ficção compilada através de descaradas semelhanças com a realidade, pouca ou nenhuma consideração com estudos sérios ou pesquisas realmente significativas; fundamentada através de experiências empíricas realizadas com cobaias pouco ou nada voluntárias, em situações cujas conclusões definitivamente não podem ser tiradas com base na credibilidade da obra e do autor da mesma. nenhuma cobaia foi ferida ou morta durante a autoria deste blog, e suas identidades serão devidamente protegidas para que o autor não precise se preocupar com a repercussão das experiências e para que fique com o crédito todo pra ele]

A evolução prevê que cada espécie em seu estágio mais aperfeiçoado de existência desenvolve um patamar de sobrevivência com o qual seja capaz de produzir mais e mais gerações, graças às facilidades encontradas em sua adaptação ao meio e às outras espécies, mantendo-se, portanto, superior a todas elas.

Eu estava exatamente dentro de um ônibus, que rangia feito uma cama de molas, e deviam ser quase uma da tarde – pois eu estava tentando desesperadamente ir almoçar, embora o trânsito estivesse decidido a tornar essa tarefa bem mais complicada – quando me dei conta que a evolução caducou desde que nós humanos decidimos que seria bem mais legal se começássemos a criar as nossas próprias regras.

E então, em meio ao trânsito infernal, meu rosto iluminou-se (ao menos imagino que deva ter-se iluminado; foi um momento grandioso de compreensão do sentido da sociedade que ajudo a construir todos os dias no meu trabalho de ajudar-as-pessoas-a-vender-coisas-que-as-outras-pessoas-não-precisam-mas-querem-comprar-para-se-sentirem-mais-felizes, então me deixem inserir um pouco de dramaticidade na cena)... Quão estupenda é a civilização que construímos em cada semáforo e cruzamento, com todos esses quatro-rodas de um lado para o outro, cujos motoristas cheios de tarefas (ou não) buscam os caminhos mais articulados para que continuem gastando gasolina e tumultuando as ruas, maaaas tudo em prol da evolução humana (ao menos em horário de expediente).

As filas de banco, o horário de almoço, os quatro-rodas, o sistema carcerário... Uôu. Fizemos por merecer o nosso posto na mais alta prateleira (?) da cadeia alimentar. O que seria da nossa civilização sem as filas, e ouso até dizer, sem as senhas de atendimento? Eis aí o segredo do nosso sucesso enquanto espécime dominante do planeta. Quiçá do Universo (enquanto nada provar o contrário).

A verdade é que as regras que criamos desde então só estão aí para impedir que outra espécie consiga alcançar algum feito da humanidade, como por exemplo, atravessar o estreito de Bering, e assim tomar o nosso lugar na direção das grandes corporações (duvido que os alces consigam algum sucesso com a declaração de imposto de renda). Aliás, estudos com cobaias humanas comprovam que poucos de nós conseguem superar essas regras – isso quando conseguimos entendê-las. Mas faz muito sentido: as regras do jogo não foram feitas para nós ganharmos.


[continua]

domingo, 7 de dezembro de 2008

MAMÍFEROS

Quando recebi este blog para dar continuidade, meu editor só se preocupou em dizer: “Olha, não me importa se ninguém ler este blog de merda. Mas você precisa de algo que renda assunto! Algo que interesse as pessoas!”. Ele me passou alguns artigos antigos, alguns rascunhos e disse pra eu ligar pra ele caso eu precisasse. Bem, eu não liguei, e também não segui a proposta dos rascunhos (nem me perguntem onde eu os guardei, porque não me lembro), mas um dos textos que foi publicado há muito tempo rendeu uma grande idéia. Se seria genial ou uma grande babaquice, só dá pra saber agora.

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Grande parte do Universo fazia muito sentido até que um símio muito sem-vergonha achou que estava na hora de evoluir. Mas ele não fez como os répteis, que encontraram rapidamente a forma mais adequada e definitiva para cada espécie, que duraria mais de milhões de anos, como as tartarugas e os jacarés. Este primata resolveu evoluir para uma forma mais confusa e cheia de bugs, seguindo o trágico exemplo da evolução do Windows XP para o Windows Vista, e quebrou totalmente a cadeia lógica que o Universo, coitado, estava tentando seguir. Então, desde que a sucessão mal evoluída dos símios surgiu na Terra, o Universo desistiu de fazer sentido e resolveu criar o ornintorrinco.

Desde que a Humanidade é isso aí que a gente sabe, vários dedicaram suas vidas a entendê-la e a decifrá-la, contribuindo para que essa mesma Humanidade conseguisse evoluir para versões mais patéticas e fracassadas de si mesma (quem mandou não seguir o exemplo dos reptéis?). Estão aí para provar que não falta manga para o assunto um bocado de intelectuais barbudos e/ou estranhos que produziram as mais importantes obras para a compreensão deste ser bizarro em questão, e da sociedade escrota que ele criou para si.

Agora, o que é mais difícil de compreender é por que raios alguém achou que seria mais interessante dedicar uma vida inteira para o estudo de um acidente evolutivo como esse, se até o Reino Fungi é mais instigante. Mas os cogumelos são criaturas invejosamente bem resolvidas, e eu precisava de alguém mais problemático para começar isso tudo.

Essa série de posts que abre a nova fase do Pense Mais Leite não são apenas teorias baratas. São teorias baratas sem o mínimo pudor científico experimentando simulações comportamentais em cobaias nem um pouco voluntárias. O objetivo disso tudo ainda é incerto. Mas duas conclusões poderão ser tomadas ao decorrer do processo: ou o ser humano é escroto, ou esse blog é.

Pensando Mais Leite será possível se aproximar da natureza previsível e desprezível desses mamíferos escrotos e controversos de procedência evolutiva simiesca duvidosa? Em que ponto a evolução errou ao permitir que a raça dominante partisse logo dos macacos? Ainda é possível acreditar que existe vida inteligente na internet? Só é possível dizer que, se há um lugar onde essas respostas estejam, esse lugar definitivamente não é um blog.

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